Tal como os nossos trajes, também as Danças e Cantares do nosso grupo foram fruto de recolhas junto da população e identificam-se com a mesma época, compreendida entre 1895 e 1920. Com tanta dureza no trabalho e fome, atributos infelizmente ligados a esse tempo, e desprovidos dos passatempos que por força da evolução nós hoje possuímos, os nossos antepassados possuíam muita riqueza na alegria e na alma.
A qualquer hora cantavam e bailavam: nas eiras, durante grandes escamisadas, aos quartéis, depois de comerem o pouco que infelizmente tinham (por vezes metade de uma sardinha e um quarto de pão), de madrugada enquanto esperavam uns pelos outros para irem para o campo, nos santos populares, nas cegadas de Carnaval e enfim.
As Danças e Cantares eram o que de mais rico e belo existia. Os bailes eram na altura única hipótese de divertimento e também uma boa maneira de falar às moças de então. Todos se prezavam, por saber dançar bem. Quando o baile acabava, já era então hora de partir para mais um duro dia de trabalho.
Mas mesmo, assim, o seu entusiasmo não esfriava. Naquela época, depois de se arranjar casa e tocata, as pessoas convidavam-se entre si para si ao baile e ninguém faltava. Como as casas eram sempre pequenas, haviam sempre uma pessoa que comandava o baile. Era ele que dizia quem ia dançar cada número. Dançavam mais aqueles que melhor o faziam. Quem não se desenrascava muito bem, era considerado podão e dificilmente arranjava par.
Por vezes alguém não gostava das decisões tomadas pelo mestre de sala e lá começava a “cachaporrada”, outras vezes também iniciada devido à disputa pelas moças. As coisas não corriam bem para o namorico e como já havia uns “copitos no bucho”, lá começava a fita.
Analisando estas tradições, o Rancho Folclórico Danças e Cantares de Vale do Paraíso recolheu e exibe, retratando com maior veracidade possível, tal como faz com os seus trajes. As Danças e Cantares. O seu vasto reportório é composto por Modas de Roda, Modas a Dois Passos, Bailaricos, Verde Gaios, Viras, Carreirinhas, Corridinhas e essa moda tão característica que identifica o Ribatejo: o Fandango.

VALSA A DOIS PASSOS
Pertence à família das mazurcas baloiçadas, faz lembrar por vezes a suavidade das valsas nobres pela sua melodia e ganha assim afirmação pela sua coreografia.
CARREIRINHAS
Desconhecendo-se exactamente a sua origem, as modas das carreirinhas eram muito dançadas na nossa região, surgem-nos como uma variante das modas de roda, ornamentadas quase sempre com passes de sapateado com uma parte saltitada ou pulada.
BAILARICO DOS NAMORADOS
Os namorados tudo faziam para passar um bocadinho junto de quem gostavam. O baile era uma altura preciosa e os rapazes ou até mesmo as raparigas mais atrevidas, como se de uma brincadeira se tratasse iam roubando os pares até ficarem com quem queriam.
MODINHA RODADA
De mãos dadas em roda cantarolavam mostrando assim toda a sua alegria e de certa forma fazendo lembrar as crianças nos recreios das escolas, que entre um jogo da cabra cega e um salto à macaca, lá faziam a sua rodinha
FANDANGO DO CARVALHINHO
Dançado em tom de despique e provocação trazemos do Ribatejo o Fandango do Bairro. Nos bailaricos eram habituais as zaragatas e nem o cajado as fazia parar. A galhardia destas gentes media-se no gemer dos sapatos de um fandanguista.
VERDE GAIO A QUATRO
Não havendo na época locais para o efeito, os bailaricos eram feitos nas chamadas casas da brincadeira, que na maioria dos casos não eram mais do que a casa de fora de uma habitação de alguém mais abastado. Cabia ao mestre de sala escolher apenas alguns pares para bailar.
VIRA DA EIRA
FADO DAS MONDADEIRAS
BAILARICO DOS CASAIS
MAZURCA
MODA A DOIS PASSOS
RASTEIRA
VERDE GAIO DA COMPERTINA
VERDE GAIO DO ANTÓNIO PEREIRA
VERDE GAIO DE VALE DO PARAÍSO
PAVÃO
CARRASQUINHA
Ó minha aldeia tão bela
Como o vira que te fiz
O teu rancho te revela
Que quem viver nela
Será mais feliz.
O vira é do povo
Que tão bem o dança
Batê-lo de novo
Não percas a esperança
Tu não vais parar
Com a tua altivez,
Que vamos dançar
O vira outra vez.
A dança será paixão
Como o vira também é.
Amor, dá-me a tua mão
E sente emoção
Ao bater do pé.
Rapariga vais saber
Como o vira tem condão,
Porque o rapaz podes crer
Já sente o bater
Do teu coração.
O povo foi no passado
Como o vira que dancei,
Hoje lembro com saudade
Mas a mocidade
Tem o que eu deixei.
O vira é do povo
Que tão bem o dança,
Batê-lo de novo
Nas percas a esperança,
Mas vai descansar
Quem tão bem dançou,
Vamos terminar
Que o vira acabou.
Alegria raparigas
Acabo aqui de chegar Homem
Para escolher uma de vocês
A que quero desafiar
A que queres desafiar
Aqui estou com todo o brio Mulher
Gosto mesmo é de cantar
Contigo ao desafio
Contigo ao desafio
É verdade podes crer Homem
Faz lá tu a pergunta
Que eu vou já responder
Se tu vais já responder
Gosto de ti sim senhor Mulher
Ora então responde lá
O que quer dizer amor
O que quer dizer amor
Pergunta que eu não ouvi Homem
Mas deve ser com certeza
Isto que eu sinto por ti
Isso que sentes por mim
Diz-me lá tu a sorrir Mulher
Eu não acredito em ti
Porque só sabes mentir
E se eu só sei mentir
Diz-me lá o que tu queres Homem
A mentira eu aprendi
Meu amor, com as mulheres
Aprendeste com as mulheres
Eu não acredito não Mulher
Acabamos a cantiga
Juntinhos no coração
O craveiro da minha sogra
Só dois cravos é que deu Mulher
Toda a gente tem inveja
Do melhor cravo ser meu
Semeei cravos na areia
Diz-me amor se nascerão Homem
Diz-me amor se posso ter
Segredos na tua mão
Tu falaste-me em namoro
Foi no dia de Natal Mulher
Parecias a gostar tanto
Para agora dizeres mal
Meu amor ontem à noite
Falou-me à porta da rua Homem
Entra amor cá para dentro
Que esta casa já é tua
Meu amor pediu-me um beijo
Aqui à coisa de um mês Mulher
Eu tomara que ele volte
Para dar outro outra vez
Há porta da minha sogra
Está um fio de algodão Homem
Tudo passa ninguém prende
Só eu fiquei na prisão
Vale Paraíso é minha terra
Melhor que esta não há Homem
De cá eram os meus avós
E eu gosto de ser de cá
Vale Paraíso está no alto
Está no alto e quer cair Mulher
Quem lá vai tomar amores
Vai ao céu e torna a vir
Vale Paraíso tem cantigas
Que não esquecem jamais Homem
Cantadas pelas raparigas
Nas mondas dos seus trigais
Vale Paraíso é nosso berço
Que a gente tanto quer Mulher
A minha terra não esqueço
Esteja lá onde estiver
O povo trabalhador
Que o campo ainda tem Homem
Trata a terra com amor
Como a sua própria mãe
Num tranquinho de sobreiro
A senhora apareceu Mulher
E tão milagrosa foi
Que o nome à terra deu
Minha terra é Vale do Paraíso
Não nego a minha nação Mulher
Não sou como o meu amor
Que é de lá e diz que não
Menina que bem que canta
Onde aprendeu a cantar Homem
No Palácio da Rainha
Onde o rei vai passear
Eu gosto de ouvir cantar
No mundo quem canta bem Mulher
Ai de mim não sei cantar
Não dou gostos a ninguém
Se me queres namorar
Já me podias ter dito Homem
Agora namora outra
Deixá-la não é bonito
Namora meu bem namora
Que amanhã fazemos contas Mulher
Tenho um lenço de ciúmes
Atadinho pelas pontas
Olhos pretos são maganos
Os azuis são traiçoeiros Homem
Os olhos acastanhados
São leais e verdadeiros
Entra na roda a rodar
Mas cuidado à marcação
Tu vais largar o teu par
Dá a outro a tua mão
Tu vais dar mais uma volta
Com o par que te prendeu
Mas agora solta solta
Que esse par já não é teu
A roda que se desfez
Volta a rodar como era
Vamos mudar outra vez
O teu par já está à espera
Na roda que roda agora
Vai com o par em redor
Dá-lhe a mão não deites fora
Que pode ser teu amor
A roda que vai rodando
Ai que pena ela acabar
Porque eu já estou gostando
De alguém que foi meu par
Não é a ceifa que mata
Lá para o pino do Verão
É a erva unha gata
E o cardo beija-mão
As lindas ceifeiras
Cantando cantigas
Há trigo nas eiras
Benditas espigas
Na festa é preciso
Rezar à senhora
Em Vale Paraíso
O seu povo a adora.
Todas as flores em maio
Vão passear ao Castelo,
A margaça vai de branco
O papilho de amarelo
Vou-me embora deixo o campo
Vou-me embora o campo deixo,
Cá o levo retratado
Numa folhinha de freixo
Venho dar a despedida
Cá ao nosso lavrador,
Pró ano por este tempo
Estou entregue ao meu amor.
Eu passei à tua porta
Para te falar podes crer Homem
O teu pai já não se importa
E tu não queres aparecer
Namorar é mesmo assim
Meu amor isso acontece
Se uma zanga está no fim
Ela vai outra aparece
Eu não te quero aparecer
Ouve lá o que te digo Mulher
Não é ao anoitecer
Que tu vens falar comigo
A desculpa é duvidosa Homem
E a ti não fica bem
Tu é que és uma teimosa
Já me disse a tua mãe
Se te disse a minha mãe
Foi só para te enganar Mulher
Porque ela sabe bem
O que é namorar
Namorar é mesmo assim
Meu amor isso acontece
Se uma zanga está no fim
Ela vai outra aparece
Se já não gostas de mim
Podes dizer isso agora Homem
O namoro chega ao fim
Adeus que me vou embora
Adeus que te vais embora
Pois eu não fico a chorar Mulher
Eu arranjo a qualquer hora
Outro que me saiba amar
Essa tua afirmação
Vou dize-la à tua mãe Homem
Para que ela me dê razão
E veja a filha que tem
Para ver a filha que tem
Tem de saber o passado Mulher
É que ela não sabe bem
O que me tens enganado
Vamos lá fazer as pazes
Anda cá meu amorzinho Homem
Namorar tem destas fases
Que terminam num beijinho
Se terminam num beijinho
Anda cá que eu te quero dar Mulher
E tem muito juizinho
Se queres levar-me ao altar
Eu fui ao Baile aos Casais
Ao Largo das Sapatanas Homem
Deram-me uma pisadela
Andei coxo três semanas
Eu Domingo vou ao baile
Mas não é para bailar Mulher
É para ver o meu amor
E com quem ele anda a falar
Ó menina você é
Um vaso tão delicado Homem
Eu gostava de saber
Quem era o seu namorado
Amar-te não é só isso
Tenho mais quem me embarace Mulher
Há muito que era tua
Se sozinha governasse
Tua mãe ó meu amor
Minha contrária tem sido Homem
Tem te andado a retirar
Para não casares comigo
Minha sogra diz que tem
Uma prenda para me dar Mulher
Se a prenda é de seu filho
Bem a pode arrecadar
Mondadeiras do meu trigo
Mondai o meu trigo bem Homem
Não olhai para o caminho
Que a merenda logo vem bis
Quem é pobre não namora
Quem é rico está casado
Quem é pobre não namora
Pois fica sempre enganado
O nosso patrão já chora
De o Sol ir a fugir Mulher
Não chore patrão não chore
Que ele vai e torna a vir bis
Mondadeiras sempre alegres
Curvadas por esse campo além Homem
Apanhando malmequeres
Que junto do trigo vem bis
Pela estrada fora cantando
Esquecendo a solidão Mulher
Assim vamos nós andando
Para junto do nosso patrão bis
Ó que bela escamisada
O luar já está no fim
Minha mãe não me diz nada
Meu amor chega-te a mim
Ó Milho Rei
E eu já sei o que fazer, meu bem
Eu vou beijar o meu amor
E mais ninguém
À maçaroca encarnada
Há quem grite com fervor
Ela apareceu escamisada
Pela mão do meu amor
O meu amor já me disse
Não quer que eu beije ninguém
Tem ciúmes que chatice
Mas eu sou assim também
Meu amor desponta aurora
Não tarda o dia a aparecer
Dá-me mais beijos agora
Que mais logo podem ver
A festa vai terminar
Sem luar não se vê bem
Meu amor podes beijar
Que eu te beijo também
A escamisada acabou
Meu amor vamos embora
A maçaroca parou
Não te lembres dela agora
Para esquecer as amarguras
Faz-se a festa ou arraial
Que depois nos dá venturas
Até prazer sem igual
Toda a cachopa bonita
Ou rapaz enamorado
Nesta terra tão bendita bis
Faz um ar abençoado
Nesta terra tão querida
Passa-se a vida com alegria
Tudo é belo e sedutor
Até mesmo o amor nasce dia a dia
Há sempre um prazer infindo
Neste torrão lindo de eterno sorriso
A vida aqui é mais bela
Rutilante estrela
De Vale Paraíso
Quem um dia cá vier
Pode ver esta verdade
Seja homem ou mulher
Encontra a felicidade
Neste risonho cantinho
Onde canta o rouxinol
Todos encontram carinho bis
E o doce calor do Sol
Ó oliveira do adro
Deita folhas aos anéis Mulher
Quem namoras às escondidas
Passa martírios cruéis
Carrasquinha sacode a saia
Carrasquinha levanta o braço
Carrasquinha dá-me um beijinho
Carrasquinha dá-me um abraço
Pedi-te um beijo não digas
A ninguém que sou ladrão Homem
Um beijo pede-se e dá-se
Da raiz do coração
Azeitona miudinha
Também vai para o lagar Mulher
Eu também sou pequenina
Mas também quero casar
Nas ondas do teu cabelo
Vou-me deitar a afogar Homem
É para que saibas amor
Que há ondas sem ser no mar
Pavão, ó lindo pavão
Que lindas penas o pavão tem Homem
Ai que lindos olhos tem o meu amor
Ai que lindos olhos o meu amor tem
Vira-te para mim ó rosa
Meu amor eu já estou virado Homem
Estes rapazes de agora
Usam o barrete ao lado
Usam o barrete ao lado
Meu amor é sempre assim Mulher
Quem me dera ao pé dele
Ou ele ao pé de mim
Anda cá ó meu amor
Encosta-te ao meu peitinho Mulher
Já tens essa liberdade
O que queres mais amorzinho
Um beijo na testa é honra
Na boca é abusar Homem
Ai menina nunca consinta
Homem na boca beijar
Plantei uma roseira
Ai no quintal do meu amor
Enquanto estiver solteira ó ai
Ela não dará flor
Plantei um amor perfeito
Ai no canteiro do teu jardim
Vejo agora noutro peito ó ai
O amor que era para mim
Plantei pelo Santo António
Ai um craveiro para te dar
Mas talvez fosse o demónio ó ai
Flor ela nunca quis dar
Plantei as violetas
Ai para fazer um raminho
A ninguém me comprometas ó ai
Pois são para ti amorzinho
Ó i ó ai A moda do bailarico
A moda do bailarico Mulher
É difícil de aprender
Ó i ó ai É bater com o pé no chão
É bater com o pé no chão
E tornar a rebater
Ó i ó ai Na casa da brincadeira
Na casa da brincadeira Homem
Viva o bonito brincar
Ó i ó ai Viva o casado e solteiro
Viva o casado e solteiro
Viva quem está para casar
Ó i ó ai O Sol nasce em clina
O Sol nasce em clina Mulher
Para as pedras do meu anel
Ó i ó ai Também eu me inclinei
Também eu me inclinei
Pró teu nome Manuel
Ó i ó ai Lá vem o Sol a nascer
Lá vem o Sol a nascer Homem
Deitando raivas à aldeia
Ó i ó ai Lá vem a tesourinha
Lá vem a tesourinha
A cortar na vida alheia
Ó i ó ai Nesta noite de serão
Nesta noite de serão Mulher
Estou pronta para cantar
Ó i ó ai O serão a noite inteira
O serão a noite inteira
Até o Sol arraiar
Ai ó minha rica tia Maria
Ai dê-me a sua Mariana Homem
É um regalo na vida
Ai ficar com ela na cama
Ai ficar com ela na cama
Ai ficar com ela no quarto Homem
Ai minha rica tia Maria
Ai numa noite não a mato
Ai dou-lhe a minha Mariana
Ai isso é do meu ideal Mulher
Só lhe peço meu senhor
Ai não lhe faça muito mal
Ai anda cá ó Mariana
Ai anda cá ó meu amor Homem
Se queres casar comigo
Ai ofereço-te o meu tesouro
Ai casarei com o senhor
Ai se for um bom cavalheiro Mulher
Se casar é por amor
Ai não me vendo por dinheiro
Ai anda cá ó Mariana
Tua tia já deu licença
Ai se não vens minha querida Homem
Ai minha tristeza é imensa
Ai anda cá ó Mariana
Ai dá-me cá a tua mão
Ai eu quero fechar-te à chave
Ai dentro do meu coração
Ai não esteja a deitar foguetes
Ai eu lhe digo nesta hora
Ai se não se portar na linha
Ai não ganha bem a vitória
Rosinha foi ao moinho
Com três quartos de centeio Homem
Deu um beijo no moleiro
Trouxe logo alqueiro e meio
Tremoço Rechuchudo
Pevide brejeirinha
Chega para cá donzela
Vamos dar uma voltinha
No Domingo à tardinha
Dão a volta a passear Mulher
O moleiro mais a Rosinha
Um dia se vão casar
O Tremoço Rechuchudo
Puxa prá bela burraça Homem
Vai tremoço casca e tudo
Numa volta tudo passa
Parece dizer o moinho
Tantas voltas me vou dando Mulher
Não quero ficar sozinho
Eu também estou amando
BRANQUINHA
Ó Branquinha, ó Branquinha Homem
O que é do teu avental
Deixei-o a passar a ferro Mulher
Para levar ao arraial
Para levar ao arraial Mulher
Na noite de S. João
Ó Branquinha, ó Branquinha Homem
Amor do meu coração
Ó Branquinha, ó Branquinha Homem
onde está o teu amor
Está na nossa capelinha Mulher
No coração do senhor
No coração do senhor Mulher
Até vir o casamento
Ó Branquinha, ó Branquinha Homem
Ó que belo sentimento
Ai os olhos do meu amor
Ai são dois lacinhos de fita Mulher
Ai um ata outro desata
Ai ó que coisa tão bonita
Ai eu tenho à minha porta
Ai o que tu não tens à tua Homem
Ai um manjerico orvalhado
Ai que dá cheiro a toda a rua
Ai a salsa do meu quintal
Ai estava ao pé da mimosa Mulher
Ai assim é o meu amor
Ai parece um botão de rosa
Ai ó minha pombinha branca
Ai empresta-me o teu vestido Homem
Ai o teu vestido é de penas
Ai as penas trago eu comigo
Ao o Vira de vale Paraíso
Ai quem cantar esta canção
Ai traga na boca um sorriso bis
Ai traga amor no coração
Este vira é nosso
Mas é teu também
Ao virar não posso
Negá-lo a ninguém
Vem cantar comigo
Será mais uma vós
E mais um amigo
Para junto de nós
Este vira encerra
O cantar de um povo
Vai de terra em terra
Mas volta de novo
Se o cantares na roda
Vês o que é preciso
É cantar á moda
De Vale do Paraíso
Ao o vira que estou cantando
Ai à terra onde nasci
Se de longe meus olhos vão chorando
Ai a cantar eu penso em ti bis
Ai o vira da nossa terra
Ai é cantado bem ou mal
Ai seja no campo ou na serra
Ai é a voz de Portugal
Pisa o pé desta menina
Pisa o pé desta flor Homem
Ora pisa ou não pisa
Ó serás o meu amor
Aqui nesta roda anda
Quem a mim pisou o pé Mulher
Se me tornar a pisar
Eu digo logo quem é
Pisa o pé desta menina
Pisa o pé com desejo Homem
Aqui está minha namorada
Quem me dera dar-lhe um beijo
Mesmo que te pise o pé
Não me julgues uma flor Mulher
Vamos dar uma voltinha
E acabamos meu amor
Pisa o pé desta menina
Pisa o pé devagarinho Homem
Vira-te para mim ó moça
Para te dar um beijinho
Ó Margarida Moleira
Que é da outra margarida
Ai ai ai Ficou deitada na cama
Ai ai ai A chorar de arrependida
Amor com amor se paga
Porque não pagas amor
Ai ai ai Olha que Deus não perdoa
Ai ai ai A quem é mau pagador
Anda lá para adiante
Que eu atrás de ti não vou
Ai ai ai Não me ajuda o coração
Ai ai ai Amar quem me deixou
Tenho os meus cinco sentidos
Todos perdidos por ti
Ai ai ai E sofro desta maneira
Ai ai ai Desde a hora em que nasci
Anda cá ó meu amor
Que ainda te quero bem
Ai ai ai Ainda me lembro de ti
Ai ai ai Quando não tenho ninguém
Que lindo é dançar o vira
Que lindo é o vira dançar
Dá-se a volta vira e vira
E vira que vira
E torna a virar
Dançar e cantar
Que hoje é que é dia
Porque sem festa
Não há alegria
Rapazes e raparigas
Toca a rir toca a folgar
Esquecemos as espigas
Vamos a bailar
Raparigas cantai o vira
Ó rapazes cantai também
Pois é tolo quem não vira
E quanto mais vira mais sabe bem
A dançar com alegria
A cantar com animação
Diz o Manel à Maria
Nas voltas do vira
Me dás tua mão
Cachopa que eu tanto amei ó ai
Já que deixar me quiseste
Dá-me os beijos que eu te dei ó ai
Toma lá os que me deste
Beijos são favas contadas
Para cá vens de carrinho
São como favas contadas
Que já não movem moinhos
Ora vira para aqui
Aqui para o meu lado
Há muito para ti
Eu já estou virado
Ora vira com jeito na viração
Verás em meu peito meu coração
Passei ao pé do alecrim ó ai
Logo um raminho apanhei
Assim te lembres de mim ó ai
Como de ti me lembrei
Não me sai da confiança
Pela rama do alecrim
Assim te venha à lembrança
Vamos que te esqueces de mim
Anda lá para diante
Retira-te do caminho
Quem vai para amar amores
Não vai tão devagarinho
Olá esteja quieto
Esteja quieto não
Olá esteja quieto
Não me ponha a mão
Não me ponha a mão
Que eu já sou casada
Se eu fosse solteira
Eu não me importava
Anda cá ó meu amor
Anda cá vem me dizer
A outra te chama amor
De quem és tu a valer
Anda cá ó meu amor
Põe aqui a tua mão
Ouvirás as pancadinhas
Que dá meu coração
Já tenho os sapatos rotos
De ir à tua porta
Não percas as passadas
Que os sapatos não me importa
Ó Eleio estás enleado
Ó Eleio quem te enleou
Eu queria enlear-me contigo
Mas minha mãe não me deixou
Ó Eleio para que me foges
Ó Eleio para onde vais
Eu queria enlear-me contigo
Anda pedir a meus pais
Ó Eleio queres-me enlear
Ó Eleio estás-me a fingir
Eu queria enlear-me contigo
Mas sei que me andas a mentir
Ó Eleio eu vou-me embora
Ó Eleio que não te enleio
Eu queria enlear-me contigo
Tu tens outra que eu bem o sei
Ó Eleio só mais uma vez
Ó Eleio vem-me enlear
Eu queria enlear-me contigo
Não me deixes a chorar
Ó Eleio quem é que disse
Ó Eleio que eu não sou tua
Eu queria enlear-me contigo
Tu não queres a culpa é tua
Este é o Vira da Festa
Da festa da nossa gente
Gente não há como esta
Como esta que ainda sente
Tudo isto só testa
A sua força e o sentimento
Dá-me a tua mão
Canta esta canção
E no coração sentirás
Que não estamos sós
E dentro de nós ficarás
Anda meu amigo
Não olhes para trás
Aprende comigo
Vê lá se és capaz
Para começar vamos lá cantar
E no que te resta
Fazes como eu faço
Para entrares na festa
O vira não veio sozinho
Veio como ele o Ribatejo
Para dar um abraço ao Minho
E saudar o Alentejo
E ao país inteirinho
Prendê-lo num terno beijo
O Fado é eternamente
Uma constante que juro
Canta a vida no presente
No passado e no Futuro
O Fado é coisa mais querida
Que vive dentro da gente
É o movimento da vida
Ele é a voz do presente
O Fado dentro de nós
Vibra sempre ao ser dançado
Relembra nossos avós
Faz reviver o passado
O Fado é a mocidade
O sentimento mais puro
Cantar ou dançar o fado
É dar mais vida ao futuro
Ai o tocador do armónio
O tocador do armónio
Ele é feio mas toca bem bis
Ai se não casar pelo toque
Se não casar pelo toque
Boniteza não a tem
Ai boniteza não a tem
Ai já o carril fez pó
Já o carril fez pó
Isto agora é que é dançar bis
Ai arranjei uma amor novo
Arranjei uma amor novo
Agora é que é namorar
Ai agora é que é namorar
Ai à entrada de Lisboa
à entrada de Lisboa
Logo ali à entrada bis
Ai está uma freirinha nova
Está uma freirinha nova
Que nunca foi abanada
Ai que nunca foi abanada
Ai quando te vi laranjeira
Quando te vi laranjeira
De laranjas carregada bis
Ai logo o meu coração disse
Logo o meu coração disse
Laranjeira desgraçada
Ai laranjeira desgraçada
Ai à entrada de Lisboa
À entrada de Lisboa
Ouvi chorar e escutei bis
Ai eram os tristes soldadinhos
Eram os tristes soldadinhos
Castigados pelo Rei
Ai castigados pelo Rei
Há vento na Eira rapariga
Vai o grão ao ar bis
Levanta a poeira
Sempre a cantar bis
Mas sempre a cantar rapaz
Junto ao meu amor bis
Para o grão granjear
Com o meu amor bis
Com o teu amor rapariga
Caído no rosto bis
Sentindo o calor
Deste mês de Agosto bis
Neste mês de Agosto rapaz
Debulha-se o pão bis
Amor eu aposto
Que tu tens razão bis
Se tenho razão rapariga
Faz lá o jeitinho bis
Bate com o pé no chão
Vamos ó picadinho bis
Vamos ao picadinho rapaz
Sem fazer poeira bis
Ó meu amorzinho
Aqui nesta eira bis
Eu já trabalhei no campo rapariga
Ainda me lembro ainda bis
Eu já te disse que já diziam os meus avós rapaz
Eu já te disse que a vida no campo é linda bis
Eu quero ir morar para o campo rapariga
Terra da minha paixão bis
Eu já te disse aonde se cria o tomate rapaz
Eu já te disse girassol e o melão bis
Eu quero ir morar para o campo rapariga
Terra aonde eu fui criada bis
Eu já te disse também lá se cria o trigo rapaz
Eu já te disse milho, feijão e cevada bis
Eu quero ir morar para o campo rapariga
O campo é para todos nós bis
Eu já te disse que a vida no campo é linda rapaz
Eu já te disse que já o diziam meus avós bis
Eu quero ir morar para o campo rapariga
Vivo como é do meu gosto bis
Eu já te disse quero ver as camponesas rapaz
Eu já te disse com que água lavam o rosto bis