Danças e Cantares

  

Tal como os nossos trajes, também as Danças e Cantares do nosso grupo foram fruto de recolhas junto da população e identificam-se com a mesma época, compreendida entre 1895 e 1920. Com tanta dureza no trabalho e fome, atributos infelizmente ligados a esse tempo, e desprovidos dos passatempos que por força da evolução nós hoje possuímos, os nossos antepassados possuíam muita riqueza na alegria e na alma.

 

A qualquer hora cantavam e bailavam: nas eiras, durante grandes escamisadas, aos quartéis, depois de comerem o pouco que infelizmente tinham (por vezes metade de uma sardinha e um quarto de pão), de madrugada enquanto esperavam uns pelos outros para irem para o campo, nos santos populares, nas cegadas de Carnaval e enfim.

As Danças e Cantares eram o que de mais rico e belo existia. Os bailes eram na altura única hipótese de divertimento e também uma boa maneira de falar às moças de então. Todos se prezavam, por saber dançar bem. Quando o baile acabava, já era então hora de partir para mais um duro dia de trabalho.

 

Mas mesmo, assim, o seu entusiasmo não esfriava. Naquela época, depois de se arranjar casa e tocata, as pessoas convidavam-se entre si para si ao baile e ninguém faltava. Como as casas eram sempre pequenas, haviam sempre uma pessoa que comandava o baile. Era ele que dizia quem ia dançar cada número. Dançavam mais aqueles que melhor o faziam. Quem não se desenrascava muito bem, era considerado podão e dificilmente arranjava par.

Por vezes alguém não gostava das decisões tomadas pelo mestre de sala e lá começava a “cachaporrada”, outras vezes também iniciada devido à disputa pelas moças. As coisas não corriam bem para o namorico e como já havia uns “copitos no bucho”, lá começava a fita.

 

Analisando estas tradições, o Rancho Folclórico Danças e Cantares de Vale do Paraíso recolheu e exibe, retratando com maior veracidade possível, tal como faz com os seus trajes. As Danças e Cantares. O seu vasto reportório é composto por Modas de Roda, Modas a Dois Passos, Bailaricos, Verde Gaios, Viras, Carreirinhas, Corridinhas e essa moda tão característica que identifica o Ribatejo: o Fandango.

 

  

 

 

VALSA A DOIS PASSOS

Pertence à família das mazurcas baloiçadas, faz lembrar por vezes a suavidade das valsas nobres pela sua melodia e ganha assim afirmação pela sua coreografia.

 

 

CARREIRINHAS

Desconhecendo-se exactamente a sua origem, as modas das carreirinhas eram muito dançadas na nossa região, surgem-nos como uma variante das modas de roda, ornamentadas quase sempre com passes de sapateado com uma parte saltitada ou pulada.

 

BAILARICO DOS NAMORADOS

Os namorados tudo faziam para passar um bocadinho junto de quem gostavam. O baile era uma altura preciosa e os rapazes ou até mesmo as raparigas mais atrevidas, como se de uma brincadeira se tratasse iam roubando os pares até ficarem com quem queriam.

 

 

MODINHA RODADA

De mãos dadas em roda cantarolavam mostrando assim toda a sua alegria e de certa forma fazendo lembrar as crianças nos recreios das escolas, que entre um jogo da cabra cega e um salto à macaca, lá faziam a sua rodinha

 

FANDANGO DO CARVALHINHO

Dançado em tom de despique e provocação trazemos do Ribatejo o Fandango do Bairro. Nos bailaricos eram habituais as zaragatas e nem o cajado as fazia parar. A galhardia destas gentes media-se no gemer dos sapatos de um fandanguista.

 

VERDE GAIO A QUATRO

Não havendo na época locais para o efeito, os bailaricos eram feitos nas chamadas casas da brincadeira, que na maioria dos casos não eram mais do que a casa de fora de uma habitação de alguém mais abastado. Cabia ao mestre de sala escolher apenas alguns pares para bailar. 

 

 

VIRA DA EIRA

FADO DAS MONDADEIRAS

BAILARICO DOS CASAIS

MAZURCA

MODA A DOIS PASSOS

RASTEIRA

VERDE GAIO DA COMPERTINA

VERDE GAIO DO ANTÓNIO PEREIRA

VERDE GAIO DE VALE DO PARAÍSO

PAVÃO

CARRASQUINHA

 

 

 

 

 

O Vira da Minha Aldeia

 

Ó minha aldeia tão bela

Como o vira que te fiz

O teu rancho te revela

Que quem viver nela

Será mais feliz.

O vira é do povo

Que tão bem o dança

Batê-lo de novo

Não percas a esperança

Tu não vais parar

Com a tua altivez,

Que vamos dançar

O vira outra vez.

A dança será paixão

Como o vira também é.

Amor, dá-me a tua mão

E sente emoção

Ao bater do pé.

 

Rapariga vais saber

Como o vira tem condão,

Porque o rapaz podes crer

Já sente o bater

Do teu coração.

 

O povo foi no passado

Como o vira que dancei,

Hoje lembro com saudade

Mas a mocidade

Tem o que eu deixei.

 

O vira é do povo

Que tão bem o dança,

Batê-lo de novo

Nas percas a esperança,

Mas vai descansar

Quem tão bem dançou,

Vamos terminar

Que o vira acabou.

 

 

 

 

VERDE GAIO A QUATRO

 

Alegria raparigas

Acabo aqui de chegar                                          Homem

Para escolher uma de vocês

A que quero desafiar

 

A que queres desafiar

Aqui estou com todo o brio                                Mulher

Gosto mesmo é de cantar

Contigo ao desafio

 

Contigo ao desafio

É verdade podes crer                                          Homem

Faz lá tu a pergunta

Que eu vou já responder

 

Se tu vais já responder

Gosto de ti sim senhor                                        Mulher

Ora então responde lá

O que quer dizer amor

 

O que quer dizer amor

Pergunta que eu não ouvi                                    Homem

Mas deve ser com certeza

Isto que eu sinto por ti

 

Isso que sentes por mim

Diz-me lá tu a sorrir                                           Mulher

Eu não acredito em ti

Porque só sabes mentir

 

E se eu só sei mentir

Diz-me lá o que tu queres                                   Homem

A mentira eu aprendi

Meu amor, com as mulheres

 

Aprendeste com as mulheres

Eu não acredito não                                            Mulher

Acabamos a cantiga

Juntinhos no coração

 

 

 

VERDE GAIO DA COMPERTINA

 

 

O craveiro da minha sogra

Só dois cravos é que deu                                    Mulher

Toda a gente tem inveja

Do melhor cravo ser meu

 

Semeei cravos na areia

Diz-me amor se nascerão                                    Homem

Diz-me amor se posso ter

Segredos na tua mão

 

Tu falaste-me em namoro

Foi no dia de Natal                                             Mulher

Parecias a gostar tanto

Para agora dizeres mal

 

Meu amor ontem à noite

Falou-me à porta da rua                                     Homem

Entra amor cá para dentro

Que esta casa já é tua

 

Meu amor pediu-me um beijo

Aqui à coisa de um mês                                      Mulher

Eu tomara que ele volte

Para dar outro outra vez

 

Há porta da minha sogra

Está um fio de algodão                                      Homem

Tudo passa ninguém prende

Só eu fiquei na prisão

 

 

 

VERDE GAIO DE VALE DO PARAÍSO

 

 

Vale Paraíso é minha terra

Melhor que esta não há                             Homem

De cá eram os meus avós

E eu gosto de ser de cá

 

Vale Paraíso está no alto

Está no alto e quer cair                             Mulher

Quem lá vai tomar amores

Vai ao céu e torna a vir

 

Vale Paraíso tem cantigas

Que não esquecem jamais                         Homem

Cantadas pelas raparigas

Nas mondas dos seus trigais

 

Vale Paraíso é nosso berço

Que a gente tanto quer                              Mulher

A minha terra não esqueço

Esteja lá onde estiver

 

O povo trabalhador

Que o campo ainda tem                               Homem

Trata a terra com amor

Como a sua própria mãe

 

Num tranquinho de sobreiro

A senhora apareceu                                   Mulher

E tão milagrosa foi

Que o nome à terra deu

 

 

 

 

 

VERDE GAIO DO ANTÓNIO PEREIRA

 

 

 

Minha terra é Vale do Paraíso

Não nego a minha nação                                    Mulher

Não sou como o meu amor

Que é de lá e diz que não

 

Menina que bem que canta

Onde aprendeu a cantar                                      Homem

No Palácio da Rainha

Onde o rei vai passear

 

Eu gosto de ouvir cantar

No mundo quem canta bem                      Mulher

Ai de mim não sei cantar

Não dou gostos a ninguém

 

Se me queres namorar

Já me podias ter dito                                 Homem

Agora namora outra

Deixá-la não é bonito

 

Namora meu bem namora

Que amanhã fazemos contas                     Mulher

Tenho um lenço de ciúmes

Atadinho pelas pontas

 

Olhos pretos são maganos

Os azuis são traiçoeiros                                      Homem

Os olhos acastanhados

São leais e verdadeiros

 

 

 

 

 

MODINHA RODADA

 

 

 

Entra na roda a rodar

Mas cuidado à marcação

Tu vais largar o teu par

Dá a outro a tua mão

 

Tu vais dar mais uma volta

Com o par que te prendeu

Mas agora solta solta

Que esse par já não é teu

 

A roda que se desfez

Volta a rodar como era

Vamos mudar outra vez

O teu par já está à espera

 

Na roda que roda agora

Vai com o par em redor

Dá-lhe a mão não deites fora

Que pode ser teu amor

 

A roda que vai rodando

Ai que pena ela acabar

Porque eu já estou gostando

De alguém que foi meu par 

 

 

 

 

VIRA DA EIRA

 

 

Não é a ceifa que mata

Lá para o pino do Verão

É a erva unha gata

E o cardo beija-mão

 

                   As lindas ceifeiras

         Cantando cantigas

                   Há trigo nas eiras

                   Benditas espigas

                   Na festa é preciso

         Rezar à senhora

                   Em Vale Paraíso

                   O seu povo a adora.

 

Todas as flores em maio

Vão passear ao Castelo,

A margaça vai de branco

O papilho de amarelo

 

Vou-me embora deixo o campo

Vou-me embora o campo deixo,

Cá o levo retratado

Numa folhinha de freixo

 

Venho dar a despedida

Cá ao nosso lavrador,

Pró ano por este tempo

Estou entregue ao meu amor.

 

 

 

 

 

 

 

BAILARICO DOS NAMORADOS

 

 

Eu passei à tua porta

Para te falar podes crer                             Homem

O teu pai já não se importa

E tu não queres aparecer

 

Namorar é mesmo assim

Meu amor isso acontece

Se uma zanga está no fim

Ela vai outra aparece

 

Eu não te quero aparecer

Ouve lá o que te digo                                Mulher

Não é ao anoitecer

Que tu vens falar comigo

 

A desculpa é duvidosa                              Homem

E a ti não fica bem

Tu é que és uma teimosa

Já me disse a tua mãe

 

Se te disse a minha mãe

Foi só para te enganar                               Mulher

Porque ela sabe bem

O que é namorar

 

Namorar é mesmo assim

Meu amor isso acontece

Se uma zanga está no fim

Ela vai outra aparece

 

Se já não gostas de mim

Podes dizer isso agora                               Homem

O namoro chega ao fim

Adeus que me vou embora

 

Adeus que te vais embora

Pois eu não fico a chorar                                    Mulher

Eu arranjo a qualquer hora

Outro que me saiba amar

 

Essa tua afirmação

Vou dize-la à tua mãe                                Homem

Para que ela me dê razão

E veja a filha que tem

 

Para ver a filha que tem

Tem de saber o passado                                     Mulher

É que ela não sabe bem

O que me tens enganado

 

Vamos lá fazer as pazes

Anda cá meu amorzinho                                     Homem

Namorar tem destas fases

Que terminam num beijinho

 

Se terminam num beijinho

Anda cá que eu te quero dar                      Mulher

E tem muito juizinho

Se queres levar-me ao altar

 

 

BAILARICO DOS CASAIS

 

 

Eu fui ao Baile aos Casais

Ao Largo das Sapatanas                                    Homem

Deram-me uma pisadela

Andei coxo três semanas

 

Eu Domingo vou ao baile

Mas não é para bailar                               Mulher

É para ver o meu amor

E com quem ele anda a falar

 

Ó menina você é

Um vaso tão delicado                                Homem

Eu gostava de saber

Quem era o seu namorado

 

Amar-te não é só isso

Tenho mais quem me embarace                          Mulher

Há muito que era tua

Se sozinha governasse

 

Tua mãe ó meu amor

Minha contrária tem sido                                   Homem

Tem te andado a retirar

Para não casares comigo

 

Minha sogra diz que tem

Uma prenda para me dar                                    Mulher

Se a prenda é de seu filho

Bem a pode arrecadar

 

 

 

FADO DAS MONDADEIRAS

 

 

Mondadeiras do meu trigo

Mondai o meu trigo bem                                    Homem

Não olhai para o caminho

Que a merenda logo vem                                    bis

 

Quem é pobre não namora

Quem é rico está casado

Quem é pobre não namora

Pois fica sempre enganado

 

O nosso patrão já chora

De o Sol ir a fugir                                               Mulher

Não chore patrão não chore

Que ele vai e torna a vir                                      bis

 

Mondadeiras sempre alegres

Curvadas por esse campo além                          Homem

Apanhando malmequeres

Que junto do trigo vem                             bis

 

Pela estrada fora cantando

Esquecendo a solidão                                Mulher

Assim vamos nós andando

Para junto do nosso patrão                      bis

 

  

 

 

BAILARICO DA ESCAMISADA

 

 

Ó que bela escamisada

O luar já está no fim

Minha mãe não me diz nada

Meu amor chega-te a mim

 

Ó Milho Rei

E eu já sei o que fazer, meu bem

Eu vou beijar o meu amor

E mais ninguém

 

À maçaroca encarnada

Há quem grite com fervor

Ela apareceu escamisada

Pela mão do meu amor

 

O meu amor já me disse

Não quer que eu beije ninguém

Tem ciúmes que chatice

Mas eu sou assim também

 

Meu amor desponta aurora

Não tarda o dia a aparecer

Dá-me mais beijos agora

Que mais logo podem ver

 

A festa vai terminar

Sem luar não se vê bem

Meu amor podes beijar

Que eu te beijo também

 

A escamisada acabou

Meu amor vamos embora

A maçaroca parou

Não te lembres dela agora

 

 

 

MARCHA DE VALE DO PARAÍSO

 

 

Para esquecer as amarguras

Faz-se a festa ou arraial

Que depois nos dá venturas

Até prazer sem igual

Toda a cachopa bonita

Ou rapaz enamorado

Nesta terra tão bendita           bis

Faz um ar abençoado

 

Nesta terra tão querida

Passa-se a vida com alegria

Tudo é belo e sedutor

Até mesmo o amor nasce dia a dia

Há sempre um prazer infindo

Neste torrão lindo de eterno sorriso

A vida aqui é mais bela

Rutilante estrela

De Vale Paraíso

 

Quem um dia cá vier

Pode ver esta verdade

Seja homem ou mulher

Encontra a felicidade

Neste risonho cantinho

Onde canta o rouxinol

Todos encontram carinho                bis

E o doce calor do Sol

 

 

 

 

 

 

 

 

CARRASQUINHA

 

 

Ó oliveira do adro

Deita folhas aos anéis                               Mulher

Quem namoras às escondidas

Passa martírios cruéis

 

Carrasquinha sacode a saia

Carrasquinha levanta o braço

Carrasquinha dá-me um beijinho

Carrasquinha dá-me um abraço

 

Pedi-te um beijo não digas

A ninguém que sou ladrão                        Homem

Um beijo pede-se e dá-se

Da raiz do coração

 

Azeitona miudinha

Também vai para o lagar                          Mulher

Eu também sou pequenina

Mas também quero casar

 

Nas ondas do teu cabelo

Vou-me deitar a afogar                             Homem

É para que saibas amor

Que há ondas sem ser no mar 

 

 

 

PAVÃO

 

 

 

Pavão, ó lindo pavão                                         

Que lindas penas o pavão tem                                     HomemMulher

Ai que lindos olhos tem o meu amor                 

Ai que lindos olhos o meu amor tem

 

Vira-te para mim ó rosa                                    

Meu amor eu já estou virado                              Homem

Estes rapazes de agora

Usam o barrete ao lado

 

Usam o barrete ao lado                                     

Meu amor é sempre assim                                  Mulher

Quem me dera ao pé dele

Ou ele ao pé de mim

 

Anda cá ó meu amor                                         

Encosta-te ao meu peitinho                                Mulher

Já tens essa liberdade

O que queres mais amorzinho

 

Um beijo na testa é honra

Na boca é abusar                                                Homem

Ai menina nunca consinta

Homem na boca beijar

 

 

 

VIRA DAS FLORES

 

 

Plantei uma roseira

Ai no quintal do meu amor

Enquanto estiver solteira ó ai

Ela não dará flor

 

Plantei um amor perfeito

Ai no canteiro do teu jardim

Vejo agora noutro peito ó ai

O amor que era para mim

 

Plantei pelo Santo António

Ai um craveiro para te dar

Mas talvez fosse o demónio ó ai

Flor ela nunca quis dar

 

Plantei as violetas

Ai para fazer um raminho

A ninguém me comprometas ó ai

Pois são para ti amorzinho

 

 

 

 

BAILARICO DO MANEL

 

 

Ó i ó ai       A moda do bailarico

                   A moda do bailarico                        Mulher

                   É difícil de aprender

Ó i ó ai       É bater com o pé no chão

                   É bater com o pé no chão

                   E tornar a rebater

 

Ó i ó ai       Na casa da brincadeira 

                   Na casa da brincadeira                     Homem

                   Viva o bonito brincar

Ó i ó ai       Viva o casado e solteiro

                   Viva o casado e solteiro

                   Viva quem está para casar

 

Ó i ó ai       O Sol nasce em clina

                   O Sol nasce em clina                        Mulher

                   Para as pedras do meu anel

Ó i ó ai       Também eu me inclinei

                   Também eu me inclinei

                   Pró teu nome Manuel

 

Ó i ó ai       Lá vem o Sol a nascer

                   Lá vem o Sol a nascer                      Homem

                   Deitando raivas à aldeia

Ó i ó ai       Lá vem a tesourinha

                   Lá vem a tesourinha

                   A cortar na vida alheia

 

Ó i ó ai       Nesta noite de serão

                   Nesta noite de serão                         Mulher

                   Estou pronta para cantar

Ó i ó ai       O serão a noite inteira

                   O serão a noite inteira

                   Até o Sol arraiar

 

 

 

 

TIA MARIA

 

Ai ó minha rica tia Maria

Ai dê-me a sua Mariana                                      Homem

É um regalo na vida

Ai ficar com ela na cama

 

Ai ficar com ela na cama

Ai ficar com ela no quarto                         Homem                        

Ai minha rica tia Maria

Ai numa noite não a mato

 

Ai dou-lhe a minha Mariana

Ai isso é do meu ideal                               Mulher

Só lhe peço meu senhor

Ai não lhe faça muito mal

 

Ai anda cá ó Mariana

Ai anda cá ó meu amor                             Homem

Se queres casar comigo

Ai ofereço-te o meu tesouro

 

Ai casarei com o senhor

Ai se for um bom cavalheiro                     Mulher

Se casar é por amor

Ai não me vendo por dinheiro

 

Ai anda cá ó Mariana

Tua tia já deu licença

Ai se não vens minha querida                   Homem

Ai minha tristeza é imensa

 

Ai anda cá ó Mariana

Ai dá-me cá a tua mão

Ai eu quero fechar-te à chave

Ai dentro do meu coração

 

Ai não esteja a deitar foguetes

Ai eu lhe digo nesta hora

Ai se não se portar na linha

Ai não ganha bem a vitória

 

 

TREMOÇO RECHUCHUDO

 

 

Rosinha foi ao moinho

Com três quartos de centeio                      Homem

Deu um beijo no moleiro

Trouxe logo alqueiro e meio

 

Tremoço Rechuchudo

Pevide brejeirinha

Chega para cá donzela

Vamos dar uma voltinha

 

No Domingo à tardinha

Dão a volta a passear                                Mulher

O moleiro mais a Rosinha

Um dia se vão casar

 

O Tremoço Rechuchudo

Puxa prá bela burraça                               Homem

Vai tremoço casca e tudo

Numa volta tudo passa

 

Parece dizer o moinho

Tantas voltas me vou dando                     Mulher

Não quero ficar sozinho

Eu também estou amando

  

 

 

BRANQUINHA

 

 

Ó Branquinha, ó Branquinha                    Homem

O que é do teu avental                              

Deixei-o a passar a ferro                                    Mulher

Para levar ao arraial

 

Para levar ao arraial                                  Mulher

Na noite de S. João

Ó Branquinha, ó Branquinha                    Homem

Amor do meu coração

 

Ó Branquinha, ó Branquinha                             Homem

onde está o teu amor                                

Está na nossa capelinha                                     Mulher

No coração do senhor

 

No coração do senhor                               Mulher

Até vir o casamento

Ó Branquinha, ó Branquinha                    Homem

Ó que belo sentimento

 

 

VIRA DOS NAMORADOS

 

 

 

Ai os olhos do meu amor      

Ai são dois lacinhos de fita                       Mulher

Ai um ata outro desata

Ai ó que coisa tão bonita

 

Ai eu tenho à minha porta                       

Ai o que tu não tens à tua                         Homem

Ai um manjerico orvalhado

Ai que dá cheiro a toda a rua

 

Ai a salsa do meu quintal

Ai estava ao pé da mimosa                       Mulher

Ai assim é o meu amor

Ai parece um botão de rosa

 

Ai ó minha pombinha branca         

Ai empresta-me o teu vestido                    Homem

Ai o teu vestido é de penas

Ai as penas trago eu comigo

 

  

 

 

 

VIRA DE VALE DO PARAÍSO

 

 

Ao o Vira de vale Paraíso

Ai quem cantar esta canção

Ai traga na boca um sorriso                      bis

Ai traga amor no coração

 

                   Este vira é nosso

Mas é teu também

Ao virar não posso

Negá-lo a ninguém

Vem cantar comigo

Será mais uma vós

E mais um amigo

Para junto de nós

Este vira encerra

O cantar de um povo

Vai de terra em terra

Mas volta de novo

Se o cantares na roda

Vês o que é preciso

É cantar á moda

De Vale do Paraíso

 

Ao o vira que estou cantando

Ai à terra onde nasci

Se de longe meus olhos vão chorando

Ai a cantar eu penso em ti                                  bis

 

Ai o vira da nossa terra

Ai é cantado bem ou mal

Ai seja no campo ou na serra

Ai é a voz de Portugal

 

 

 

 

 

PISA O PÉ

 

 

Pisa o pé desta menina

Pisa o pé desta flor                                             Homem

Ora pisa ou não pisa

Ó serás o meu amor

 

Aqui nesta roda anda

Quem a mim pisou o pé                                     Mulher

Se me tornar a pisar

Eu digo logo quem é

 

Pisa o pé desta menina

Pisa o pé com desejo                                 Homem

Aqui está minha namorada

Quem me dera dar-lhe um beijo

 

Mesmo que te pise o pé

Não me julgues uma flor                                     Mulher

Vamos dar uma voltinha

E acabamos meu amor

 

Pisa o pé desta menina

Pisa o pé devagarinho                               Homem

Vira-te para mim ó moça

Para te dar um beijinho

 

 

 

 

 

MARGARIDA MOLEIRA

 

 

   Ó Margarida Moleira

   Que é da outra margarida

Ai ai ai  Ficou deitada na cama

Ai ai ai  A chorar de arrependida

 

  Amor com amor se paga

  Porque não pagas amor

Ai ai ai Olha que Deus não perdoa

Ai ai ai A quem é mau pagador

 

  Anda lá para adiante

  Que eu atrás de ti não vou

Ai ai ai Não me ajuda o coração

Ai ai ai Amar quem me deixou

 

  Tenho os meus cinco sentidos

  Todos perdidos por ti

Ai ai ai E sofro desta maneira

Ai ai ai Desde a hora em que nasci

 

  Anda cá ó meu amor

  Que ainda te quero bem

Ai ai ai Ainda me lembro de ti

Ai ai ai Quando não tenho ninguém

 

  

 

 

VIRA DAS ESPIGAS

 

 

Que lindo é dançar o vira

Que lindo é o vira dançar

Dá-se a volta vira e vira

E vira que vira

E torna a virar

 

                   Dançar e cantar

                   Que hoje é que é dia

                   Porque sem festa

                   Não há alegria

                   Rapazes e raparigas

                   Toca a rir toca a folgar

                   Esquecemos as espigas

Vamos a bailar

 

Raparigas cantai o vira

Ó rapazes cantai também

Pois é tolo quem não vira

E quanto mais vira mais sabe bem

 

A dançar com alegria

A cantar com animação

Diz o Manel à Maria

Nas voltas do vira

Me dás tua mão

 

 

 

 

VIRA DAS FAVAS CONTADAS

 

 

Cachopa que eu tanto amei ó ai

Já que deixar me quiseste

Dá-me os beijos que eu te dei ó ai

Toma lá os que me deste

 

Beijos são favas contadas

Para cá vens de carrinho

São como favas contadas

Que já não movem moinhos

 

                   Ora vira para aqui

Aqui para o meu lado

                   Há muito para ti

Eu já estou virado

                   Ora vira com jeito na viração

Verás em meu peito meu coração

 

Passei ao pé do alecrim ó ai

Logo um raminho apanhei

Assim te lembres de mim ó ai

Como de ti me lembrei

 

Não me sai da confiança

Pela rama do alecrim

Assim te venha à lembrança

Vamos que te esqueces de mim

 

 

 

 

VIRA DAS PANCADINHAS

 

 

Anda lá para diante

Retira-te do caminho

Quem vai para amar amores

Não vai tão devagarinho

 

                   Olá esteja quieto

                   Esteja quieto não

Olá esteja quieto

Não me ponha a mão

                   Não me ponha a mão

Que eu já sou casada

Se eu fosse solteira

Eu não me importava

 

Anda cá ó meu amor

Anda cá vem me dizer

A outra te chama amor

De quem és tu a valer

 

Anda cá ó meu amor

Põe aqui a tua mão

Ouvirás as pancadinhas

Que dá meu coração

 

Já tenho os sapatos rotos

De ir à tua porta

Não percas as passadas

Que os sapatos não me importa

 

 

 

 

ELEIO

 

 

Ó Eleio estás enleado

Ó Eleio quem te enleou

Eu queria enlear-me contigo

Mas minha mãe não me deixou

 

Ó Eleio para que me foges

Ó Eleio para onde vais

Eu queria enlear-me contigo

Anda pedir a meus pais

 

Ó Eleio queres-me enlear

Ó Eleio estás-me a fingir

Eu queria enlear-me contigo

Mas sei que me andas a mentir

 

Ó Eleio eu vou-me embora

Ó Eleio que não te enleio

Eu queria enlear-me contigo

Tu tens outra que eu bem o sei

 

Ó Eleio só mais uma vez

Ó Eleio vem-me enlear

Eu queria enlear-me contigo

Não me deixes a chorar

 

Ó Eleio quem é que disse

Ó Eleio que eu não sou tua

Eu queria enlear-me contigo

Tu não queres a culpa é tua

 

 

 

 

 

VIRA DA FESTA

 

 

Este é o Vira da Festa

Da festa da nossa gente

Gente não há como esta

Como esta que ainda sente

Tudo isto só testa

A sua força e o sentimento

        

Dá-me a tua mão

Canta esta canção

E no coração sentirás

Que não estamos sós

E dentro de nós ficarás

Anda meu amigo

Não olhes para trás

Aprende comigo

Vê lá se és capaz

Para começar vamos lá cantar

E no que te resta

Fazes como eu faço

Para entrares na festa

 

O vira não veio sozinho

Veio como ele o Ribatejo

Para dar um abraço ao Minho

E saudar o Alentejo

E ao país inteirinho

Prendê-lo num terno beijo

 

 

 

 

FADO CORRIDO

 

 

O Fado é eternamente

Uma constante que juro

Canta a vida no presente

No passado e no Futuro

 

O Fado é coisa mais querida

Que vive dentro da gente

É o movimento da vida

Ele é a voz do presente

 

O Fado dentro de nós

Vibra sempre ao ser dançado

Relembra nossos avós

Faz reviver o passado

 

O Fado é a mocidade

O sentimento mais puro

Cantar ou dançar o fado

É dar mais vida ao futuro

  

 

 

 

VERDE GAIO

 

Ai o tocador do armónio

O tocador do armónio

Ele é feio mas toca bem                   bis

Ai se não casar pelo toque

Se não casar pelo toque

Boniteza não a tem

Ai boniteza não a tem

 

Ai já o carril fez pó

Já o carril fez pó

Isto agora é que é dançar                           bis

Ai arranjei uma amor novo

Arranjei uma amor novo

Agora é que é namorar

Ai agora é que é namorar

 

Ai à entrada de Lisboa

à entrada de Lisboa

Logo ali à entrada                                     bis

Ai está uma freirinha nova

Está uma freirinha nova

Que nunca foi abanada

Ai que nunca foi abanada

 

Ai quando te vi laranjeira

Quando te vi laranjeira

De laranjas carregada                      bis

Ai logo o meu coração disse

Logo o meu coração disse

Laranjeira desgraçada

Ai laranjeira desgraçada

 

Ai à entrada de Lisboa

À entrada de Lisboa

Ouvi chorar e escutei                       bis

Ai eram os tristes soldadinhos

Eram os tristes soldadinhos

Castigados pelo Rei

Ai castigados pelo Rei

 

 

 

PICADINHO DA EIRA

 

 

Há vento na Eira                    rapariga

Vai o grão ao ar                     bis

Levanta a poeira

Sempre a cantar                     bis

                           

Mas sempre a cantar              rapaz

Junto ao meu amor                 bis

Para o grão granjear

Com o meu amor                    bis

 

Com o teu amor                     rapariga

Caído no rosto                       bis

Sentindo o calor

Deste mês de Agosto              bis

 

Neste mês de Agosto              rapaz

Debulha-se o pão                   bis

Amor eu aposto

Que tu tens razão                   bis

 

Se tenho razão                        rapariga

Faz lá o jeitinho                      bis

Bate com o pé no chão

Vamos ó picadinho                bis

 

Vamos ao picadinho              rapaz

Sem fazer poeira                     bis

Ó meu amorzinho

Aqui nesta eira                       bis

 

 

 

TIA MARIA

 

 

Eu já trabalhei no campo                                    rapariga

Ainda me lembro ainda                                      bis

Eu já te disse que já diziam os meus avós          rapaz

Eu já te disse que a vida no campo é linda          bis

 

Eu quero ir morar para o campo                         rapariga

Terra da minha paixão                                       bis

Eu já te disse aonde se cria o tomate                  rapaz

Eu já te disse girassol e o melão                         bis

                  

Eu quero ir morar para o campo                         rapariga

Terra aonde eu fui criada                                    bis

Eu já te disse também lá se cria o trigo               rapaz

Eu já te disse milho, feijão e cevada                   bis

 

Eu quero ir morar para o campo                         rapariga

O campo é para todos nós                                 bis

Eu já te disse que a vida no campo é linda           rapaz

Eu já te disse que já o diziam meus avós            bis

 

Eu quero ir morar para o campo                         rapariga

Vivo como é do meu gosto                                bis

Eu já te disse quero ver as camponesas              rapaz

Eu já te disse com que água lavam o rosto          bis